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Fernando Pessoa 1

  

fernando20pessoaFernando Pessoa foi trabalhador

do comércio: foi escriturário numa empresa de transitários

 na Baixa de Lisboa. E foi mesmo director da «Revista de

Comércio e Contabilidade», cujo primeiro número saiu

em Janeiro de 1929. A relação escriturário, guarda-livros,

contabilista e a poesia é em Pessoa bem visível …

«É a imprescindível função de ajudante de guarda-livros

que, surpreendentemente, lhe confere o potencial de

 escritor moderno, dividido entre o espectáculo dos sonhos

que a sua própria alma lhe oferece como um “teatro íntimo”

e aquele outro espectáculo, todo exterior, que lhe é dado pelo

“dos sonhos que a sua própria alma lhe oferece como

 um “teatro íntimo” e aquele outro espectáculo, todo exterior,

 que lhe é dado pelo “colorido variadíssimo de Lisboa…», …

A contabilidade traz o poeta à realidade e não permite

que fique numa dimensão apenas transcendental que de

exacerbada prática pode conduzir à alienação e loucura;

por outro lado a poesia leva o guarda-livros/contabilista a

outra dimensão, não normativa, sem códigos ou coimas,

espiritual e livre!

Fonte:  NothingandAll

 

                    NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!                  

*************

 

 

MAR PORTUGUÊS

 

 

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

 

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.

 

***************

 

 

  O DOS CASTELOS

 

 

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto. 

Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

 

O rosto com que fita é Portugal.

QUINTO IMPÉRIO

 

VIBRA, clarim, cuja voz diz

Que outrora ergueste o grito real

Por D. João, Mestre de Aviz,

E Portugal!

 

Vibra, grita aquele hausto fundo

Com que impeliste, como um remo,

Em El-Rei D. João Segundo

O Império extremo!

 

Vibra, sem lei ou com lei,

Como aclamaste outrora em vão

O morto que hoje é vivo -- El-Rei

D. Sebastião!

 

Vibra chamando, e aqui convoca

O inteiro exército fadado

Cuja extensão os pólos toca

Do mundo dado!

 

Aquele exército que é feito

Do quanto em Portugal é o mundo

E enche este mundo vasto e estreito

De ser profundo.

 

Para a obra que há que prometer

Ao nosso esforço alado em si,

Convosco todos sem saber

(É a Hora!) aqui!

 

Os que, soldados da alta glória,

Deram batalhas com um nome,

E de cuja alma a voz da história

Tem sede e fome.

 

E os que, pequenos e mesquinhos,

No ver e no crer da externa sorte,

Calçaram imperiais caminhos

Com vida e morte.

 

Sim, estes, os plebeus do Império,

Heróis sem ter para quem o ser,

Chama-os aqui, ó som etéreo

Que vibra a arder!

 

E, se o futuro é já presente

Na visão de quem sabe ver,

Convoca aqui eternamente

Os que hão de ser!

 

Todos, todos! A hora passa,

O génio colhe-a quando vai.

Vibra! Forma outra e a mesma raça

Da que se esvai.

 

A todos, todos, feitos num

Que é Portugal, sem lei nem fim,

Convoca, e, erguendo-os um a um,

Vibra, clarim!

 

E outros, e outros, gente vária,

Oculta neste mundo misto.

Seu peito atrai, rubra e templária,

A Cruz de Cristo.

 

Glosam, secretos, altos motes,

Dados no idioma do Mistério --

Soldados não, mas sacerdotes,

Do Quinto Império.

 

Aqui! Aqui! Todos que são

O Portugal que é tudo em si,

Venham do abismo ou da ilusão,

Todos aqui!

 

Armada intérmina surgindo,

Sobre ondas de uma vida estranha,

Do que por haver ou do que é vindo --

É o mesmo: venha!

 

Vós não soubestes o que havia

No fundo incógnito da raça,

Nem como a Mão, que tudo guia,

Seus planos traça.

 

Mas um instinto involuntário,

Um ímpeto de Portugal,

Encheu vosso destino vário

De um dom fatal.

 

De um rasgo de ir além de tudo,

De passar para além de Deus,

E, abandonando o Gládio e o escudo,

Galgar os céus.

 

Titãs de Cristo! Cavaleiros

De uma cruzada além dos astros,

De que esses astros, aos milheiros,

São só os rastros.

 

Vibra, estandarte feito som,

No ar do mundo que há de ser.

Nada pequeno é justo e bom.

Vibra a vencer!

 

Transcende a Grécia e a sua história

Que em nosso sangue continua!

Deixa atrás Roma e a sua glória

E a Igreja sua!

 

Depois transcende esse furor

E a todos chama ao mundo visto.

Hereges por um Deus maior

E um novo Cristo!

 

Vinde aqui todos que sois.

Sabendo-o bem, sabendo-o mal,

Poetas, Santos ou Heróis

De Portugal.

 

Não foi para servos que nascemos

De Grécia ou Roma ou de ninguém.

Tudo negamos e esquecemos:

Fomos para além.

 

Vibra, clarim, mais alto! Vibra!

Grita a nossa ânsia já ciente

Que do seu inteiro vôo libra

De poente a oriente.

 

Vibra, clarim! A todos chama!

Vibra! E tu mesmo, voz a arder,

O Portugal de Deus proclama

Com o fazer!

 

O Portugal feito Universo,

Que reúne, sob amplos céus,

O corpo anónimo e disperso

De Osíris, Deus.

 

O Portugal que se levanta

Do fundo surdo do Destino,

E, como a Grécia, obscuro canta

Baco divino.

 

Aquele inteiro Portugal,

Que, universal perante a Cruz,

Reza, ante a Cruz universal,

Do Deus Jesus.

 

                            VIRIATO

Se a alma que sente e faz conhece

Só porque lembra o que esqueceu,

Vivemos, raça, porque houvesse

Memoria em nós do instincto teu. 

Nação porque reincarnaste,

Povo porque resuscitou

Ou tu, ou o de que eras a haste –

Assim se Portugal formou. 

Teu ser é como aquella fria

Luz que precede a madrugada,

E é já o ir a haver o dia

Na antemanhã, confuso nada.

 

 

 

 

 

O CONDE D. HENRIQUE

 

Todo começo é involuntario.

Deus é o agente.

O heroe a si assiste, vario

E inconsciente. 

À espada em tuas mãos achada

Teu olhar desce.

«Que farei eu com esta espada?» 

Ergueste-a, e fez-se.

 

 

 

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 Falando com Nossa Mãe Maria

 INFORMAÇÂO È LUZ

 

 
 

 

 

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Arvore da Vida

 

LIMPEZA DE 21 DIAS DO

 ARCANJO MIGUEL

(Retirada de Implantes)

Mandalas em Movimento

http://www.light-weaver.com/slide2/a.html 

Om Mani Peme Hum
Meditação e Projecçao Astral
em 6 Partes
 
 
Filme o Segredo em 11 Partes
 
Invocação á LUZ


Ó! Deus Todo-Poderoso,
presente em meu coração
e Todo-Poderoso Elohim da Paz!

Eu peço que cada vez mais
Chama Violeta Consumidora
 seja derramada sobre mim e
sobre todos aqueles que
estão sob esta radiação,
 para nos proteger contra
a ação
desastrosa das criações
humanas destrutivas, para
 controlar os poderes da
natureza e as forças dos
elementos, neste instante
 mesmo e por toda a
eternidade.

EU SOU EU SOU EU SOU




INVOCAMOS AS ENERGIAS
DO GRANDE SOL CENTRAL
A GRANDE FONTE
 ILUMINADORA DO AMOR

INVOCAMOS AOS ELOHINS…
OS ANJOS QUE NOS
ILUMINAM… E AOS
QUATRO PILARES
 DOS FILHOS DA LUZ …
SANAT KUMARA,
 METATRON, MIGUEL
E MELCHIZEDEK

INVOCAMOS AOS SERES
 DAS ESTRELAS QUE
COM ASHTAR,
ELEVAM E APOIAM
NOSSOS ESFORÇOS

INVOCAMOS A SHAMBALLA
E AOS MESTRES
ASCENSIONADOS
QUE GUIAM E NUTREM
ESTE ENCONTRO DE ALMAS,
SERES DAS ESTRELAS
E MESTRES ENCARNADOS
A DEDICAR SUA INTENÇÃO
 PARA ELEVAR A TODA
VIDA PELO AMOR

INVOCAMOS A MÃE MARIA,
 KUAN YIN E A MADALENA
PARA ENCHER NOSSOS
 CORAÇÕES COM HUMILDADE
E COMPAIXÃO

INVOCAMOS A NOSSA MAGNA
PRESENÇA EU SOU A TRAZER
NOSSOS DONS, VISÃO E
 OFERTAS EM UMA UNIDADE
DE PROPOSITO CENTRADA
 NO CORAÇÃO PARA CRIAR
 CLARIDADE ,DIREÇÃO DIVINA
E AMOR MANIFESTADO

EU SOU O QUE SOU
SER A LUZ E
MANTÊ-LA ACESA
 
 
 
 

 

 

Obrigada por
 
 sua Visita
 
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